Mataram nosso diploma de Jornalismo e muitos festejaram o seu enterro, juntamente com o Supremo Tribunal Federal. Com esta decisão, todas aquelas pessoas que investiram na faculdade de Jornalismo perderam a segurança de exercer uma profissão regulamentada, com direitos adquiridos. Sem falar nas faculdades que investiram e investem em infra-estrutura e agora correm o risco de não ter mais viabilidade.
Falando assim, parece que toda esta questão em torno do diploma de jornalista é corporativista, diz respeito apenas a quem está na profissão. Não é. A decisão desta semana do Supremo Tribunal Federal afeta a nós, jornalistas, e a cada pessoa da sociedade. Afirmar que esta profissão não tem impacto coletivo é, no mínimo, um ato de ignorância. Reputações podem ser construídas e destruídas com algumas linhas em um jornal. Negócios são viabilizados ou destruídos com uma reportagem de TV. O problema é que as pessoas só se dão conta do impacto disto quando elas mesmas são o foco da notícia. Aí, vem a pergunta que ouvimos rotineiramente: mas esse cara que escreveu a matéria não é jornalista, né? Parece que cada um só percebe a responsabilidade que cerca elaborar uma reportagem no momento em que é afetada por ela. Imaginem isto em escala maior...
De todos os comentários que li e ouvi sobre esta decisão do Supremo Tribunal Federal, um me deixou ainda mais reflexiva. Era de um jovem que já trabalhou em rádio e que defendia a tese de que para ser jornalista não era necessário diploma. E para sustentar sua opinião, citava profissionais que atuam em “jornalismo” sem ter feito curso superior. Ele citou, entre outros, Angélica, Silvio Santos, Hebe Camargo, Amaury Júnior. Este rapaz, aspirante a profissional de imprensa, não sabe a diferença entre ser um apresentador de rádio e de TV e ser um jornalista, o que cabe a cada um destes profissionais. E, assim como ele, vários jornalistas entraram na faculdade acreditando que bastava falar ou escrever bonito para ser um profissional da área. Mas, durante quatro anos foram obrigados a ouvir sobre ética, responsabilidade, verdade, ouvir os dois lados, respeito às diferenças, combate às desigualdades; que na imprensa forte ou fraco deverão ter o mesmo espaço, rico ou pobre serão notícia se assim merecerem. E aprenderam a ser jornalistas. Alguns, por opção, foram apresentar programas de TV, mas sabendo exatamente o que envolve esta profissão e a responsabilidade que devemos ter ao exercê-la.
Durante a faculdade, aprendemos também a trabalhar com isenção, deixando nossa opinião de fora de nossas reportagens. Poderemos manifestá-la em artigos, como este, como qualquer outro cidadão, respeitando o direito de cada um à liberdade de expressão.